* A Mesa Redonda on-line acontece no dia 03 de maio de 2023, às 14h, e será transmitido pelo Canal do Projeto GEOAFRO.

* Rafael Sanzio dos Anjos, gestor e autor do Projeto GEOAFRO, desenvolvido junto às Universidade Federal da Bahia e na Universidade de Brasília, é o organizador do evento

* Milton Guram, Roberto Pellegrino, Milena Tavares, Mãe Dialá, Lívio Sanzone e Rafael Sanzio são os palestrantes confirmados. A mediação será feita por Maria Alice Silva.

Quem está representado e quem não é visto no território brasileiro? Quem é visível e não visível para o Estado ineficiente? Onde estão os patrimônios (material e imaterial) no Brasil Africano? Por que as experiências exitosas não são propagadas? A Geografia, o Ordenamento do Território e a Estatística Oficial do país, ao não tratarem devidamente destes pontos, configuram uma forma explícita de discriminação no racismo institucional de quinhentos anos. Este, sem dúvida, é um dos principais desafios da nação mais africana fora da África no século XXI. Para discutir esses e outros assuntos dessa relevância e magnitude, o Professor Rafael Sanzio Araújo dos Anjos, receberá com a mediação de Maria Alice: Milton Guram, Roberto Pellegrino, Lívio Sanzone, Milena Tavares e Mãe Dialá na Mesa Redonda – Patrimonialização Afrobrasileira: Pesquisas, Governanças e Perspectivas. A atividade mesa será transmitida pelo Canal do Projeto GEOAFRO, no dia 03 de maio, das 14h às 17h. O evento é uma realização do Projeto GEOAFRO e do PÓS-AFRO\UFBa., com o apoio do CIGA-UnB, CEAO-UFBa, Grupo ETNICIDADES-UFBa e PPGGEEA-UnB.

Sobre a Mesa Redonda GEOAFRO – O território visto como uma instância concreta das acumulações desiguais dos distintos tempos é o principal revelador dos espaços visíveis oficialmente – os aceitos e formalizados pelo sistema dominante – e, os invisíveis, que correspondem aos territórios usados que não devem ser mostrados na cartografia e na paisagem geográfica oficial, associados a expressões territorializadas pejorativas, como favelas, o povo da periferia, os pobres, os mocambos, os quilombos, dentre outras. No bojo destes dois “Brasis” (formal/informal ou incluído/excluído) estão as memórias, manifestações culturais e expressões no territórios de matriz africana, secularmente à margem dos projetos do país, com tratamento residual e políticas de invisibilidade, nos quais a inexistência é uma das estratégias mais fundamentadas. Estas são instâncias concretas no conjunto amplo das contradições, que têm como pano de fundo as referências dos cinco séculos de sistema escravista criminoso – os quatro séculos do Brasil Colonial e os 100 anos do século XX do Brasil República de mentalidade escravocrata –, ainda não resolvidas no país. A precariedade nas políticas públicas e privadas oficiais é um dos contextos estruturais que colaboram neste processo de negação da realidade. Neste sentido, as perguntas conflitantes não querem calar: verdadeiramente, quem está representado e quem não é visto no território brasileiro? Quais espaços são visíveis e não visível para o Estado ineficiente? Onde estão os museus afrobrasileiros? Porque existem tão poucos sítios patrimonializados de matriz africana no Brasil? E as experiências exitosas, porque não são valorizadas devidamente? E os gargalos institucionais estão a serviço de quem?  ​​

Sobre o idealizador e promotor do evento – Prof. Rafael Sanzio dos Anjos. Primeiro Professor Titular Afrobrasileiro da Universidade de Brasília (UnB), atualmente é Prof. Visitante Titular junto ao PÒS-AFRO na Universidade Federal da Bahia (UFBa), é o idealizador e gestor do Projeto Geografia Afrobrasileira: Educação, Cartografia & Ordenamento do Território (Projeto GEOAFRO). Graduado em Geografia pela Universidade Federal da Bahia, Sanzio tem especialização na Universidade Estadual Paulista (Rio Claro, SP), Mestrado em Planejamento Urbano pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB, Doutorado em Informações Espaciais no Departamento de Engenharia de Transportes pela Universidade de São Paulo (USP) e Pós-Doutoramento em Cartografia Étnica no Museu Real da África Central em Tervuren (Bélgica). Tem diversos livros, mapas e artigos publicados sobre a geografia e a cartografia da diáspora africana e afrobrasileira.

Sobre a mediadora da Mesa Redonda – Maria Alice Pereira da Silva. Advogada, Mestre e Doutoranda em Arquitetura e Urbanismo pelo PPGGAU-UFBA. Autora do Livro “ Pedra de Xangô: um lugar sagrado afro-brasileiro na cidade de Salvador”. Fundadora da Plataforma digital   https://www.pedradexango.com.br/ . 

Milton Guran é antropólogo e fotógrafo (EHESS, França, 1996), com pós-doutorado na USP (2004-2004), e mestre em Comunicação Social (UnB, 1991). Foi professor da Universidade de Brasília, da Universidade Gama Filho, e da Universidade Canddo Mendes, no Rio de Janeiro. Desde 2006, é  pesquisador do LABHOI – Laboratório de História Oral e Imagem da Universidade Federal Fluminense (Rio de Janeiro). Especialista em cultura da Diáspora Africana, desenvolve pesquisas na África Ocidental desde 1994, foi membro do Comitê Científico Internacional do Projeto Rota do Escravo da UNESCO de 2011 a 2019. Como consultor da UNESCO e do IPHAN,  coordenou o grupo de trabalho responsável pelo dossiê de candidatura do Sitio Arqueológico Cais do Valongo a Patrimônio Mundial, título obtido em 2017. Como consultor da UNESCO e da Prefeitura Municipal de Campinas, elaborou e coordenou o projeto Campinas Afro (2021-2022).

Mãe Dialá é a idealizadora do Grupo de Samba das Matriarcas, Guardiã da Pedra de Xangô, Sacerdotisa do Ilê Asé Babá Ulufan Alá, localizado em Cajazeiras 10. Salvador – Bahia.

Antônio Roberto Pellegrino é formado em Psicologia (UFBA), foi Gerente de Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) no período 2011 – 2016 e, atualmente é o Diretor de Preservação do Patrimônio Cultural do IPAC – Bahia.

Milena Luisa da Silva Tavares é Diretora de Patrimônio e Humanidades da Fundação Gregório de Mattos – FGM (desde 01 jan/2017). Especialização em Gestão Cultural dos Estados do Nordeste, pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (2013) .  Graduada em Arquitetura e Urbanismo, pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (1998). Gerente de Sítios Históricos da FGM (6 jan. 2015 a dez. 2016). Gerente de Restauro de Elementos Artísticos do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (2011/jan. 2015).

Lívio Sanzone é professor titular do Departamento de Antropologia da UFBA, possui graduação em Sociologia – Universita degli Studi La Sapienza (1980), mestrado em Antropologia – Universiteit van Amsterdam (1986) e doutorado em Antropologia – Universiteit van Amsterdam (1992). Foi pesquisador do Instituto of Migration and Ethnic Studies da Universiteit van Amsterdam e vice-diretor científico do Centro de Estudos Afro-Asiáticos na UCAM, Rio de Janeiro. É pesquisador do Centro de Estudos Afro-Orientais da FFCH/UFBA e integra o Programa Multidisciplinar de Pós-Graduacão em Estudos Étnicos e Africanos.